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ENVELHECENDO NAS FRONTEIRAS

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A velhice, etapa da vida que não surpreende ninguém,

mas quem vive sabe que um dia pode chegar

Antes da nossa era, o interesse ou a preocupação com a velhice e como vivê-la tem sido objeto de análise do ser humano, “em primeiro lugar ele coloca aquela enfermedade de sua incapacidade de fazer negócios; segundo, a doença de seu enfraquecimento geral; em terceiro lugar, sua inibição para os prazeres; e em quarto lugar, e eis que é trágico, a velhice põe no limiar da morte, o terror de tantos ”.1

Na região

Embora as realidades da região nesta área são díspares, como expressa o Euro Latim Revista Americana de Análise Social e Política: “A seguridade social tem deficiências e constitui um grave problema em nível regional. Embora em alguns países a cobertura seja muito alta, como na Argentina, onde chega a 90% dos idosos, em outros é extremamente baixa: no Paraguai, por exemplo, chega a apenas 7% ”2.

Talvez por isso os mais velhos, os do século passado pensaram não só em se aposentar, para chegar bem fisicamente e economicamente cômodos, mas para poder deixar um “legado”, porque compreenderam a importância de envelhecer “bem”.

No entanto, “a população brasileira está envelhecendo e, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode chegar a 19 milhões de pessoas com mais de 80 anos em 2060. Esse contingente, se compararmos com os dados atuais, seria um pouco menos que a população total de São Paulo e Minas Gerais. Segundo o instituto, em 1980, o Brasil tinha menos de 1 milhão de pessoas nessa faixa etária (684.789 pessoas) e atingiu 3.458.279 na projeção para 2016 ”.3

No mundo

A tudo isso, a globalidade, O mercado livre e a tecnologia criaram uma nova realidade em que a formação, o emprego e a reforma já não conduzem ao mesmo lugar, onde nada dura e onde o novo os surpreende todos os dias, exigindo adaptação e assimilação de realidades desconhecidas e diversas de um mundo para o qual não estão preparados.

Para algo no Uruguai, segundo fontes não oficiais, o atendimento à velhice pelo Ministério do Desenvolvimento Social cresceu exponencialmente, principalmente nas fronteiras – entre 2 e 5% na metrópole, contra 40 a 45% nos departamentos de fronteira apenas na última década. 4

Embora desde 1949 “se fale dos Direitos do Idoso, são realizadas Assembléias Mundiais do Envelhecimento e elas esclarecem quais são esses direitos e a obrigação que os Estados Nacionais têm de cumpri-los” 5, vemos que as deficiências na atenção precoce a velhice tende a se aprofundar nas áreas de fronteira, seja porque o nível de escolaridade cai, porque aumentam as taxas de informalidade ou simplesmente porque a variável desemprego cresce de forma desigual, ao contrário do resto do país.

Queiram ou não, essas pessoas carecem de pleno “envelhecimento ativo” – isto é bem-estar físico, social e mental -, principalmente quando o vemos sob uma perspectiva de gênero, onde a diferença entre homens e mulheres é mais perceptível, inclusive. maior em países como o Brasil, que apresentam um envelhecimento acelerado da população feminina.6

Fora do mundo binário

Porém, “grande parte dos idosos continua exercendo atividade laboral ou precisa da ajuda da família e de outras redes para garantir sua subsistência ”7; Por isso, é necessário compreender as fronteiras como um terceiro espaço -como coloca Maria Teresa Arcila em seu artigo “Fronteira, entre lugar, ou terceiro espaço” 8-, como e por que esses mesmos processos ocorrem, mas de forma diferente em fronteiras, a fim de dar soluções adequadas e ajustadas àquelas realidades fora do mundo binário (um país ou outro) com as quais o assunto tem sido tratado até agora.

De acordo com o relatório das Nações Unidas (ONU) sobre World Population Outlook 2019 “em 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos (16%), mais do que a proporção atual de uma em 11 neste 2019 (9 %). […] Estima-se que o número de pessoas com 80 anos ou mais triplicará, passando de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050. A cobertura de saúde é, em geral, baixa e, portanto, o acesso ao sistema de saúde depende do aspecto socioeconômico situação de cada idoso.

Apenas em alguns países, como Argentina, Uruguai e Brasil, atinge a maioria da população de idosos. Certas subpopulações (como as que vivem em áreas rurais) pertencem a povos indígenas e mulheres têm menos acesso à seguridade social e aos serviços de saúde. Em alguns países da região, o número de homens com cobertura nessas áreas é o dobro ou até o triplo do número de mulheres ”9.

Perspectiva

Tudo isso, sem falar nos efeitos pós-pandêmicos que terão que ser analisados ​​oportunamente, portanto, o desafio já é grande, mas a perspectiva é que seja maior, e para isso devemos entender mais para melhor atender nossos idosos que estão envelhecendo nas fronteiras.

Richar Enry Ferreira

Referências:

1 – SINTESIS DEL “TRATADO DE LA VEJEZ” DE MARCO TULIO CICERON https://revistamarina.cl/revistas/1979/6/garcia.pdf

2 – Revista Euro Latinoamericanade Análisis Social y Político http://www.ojs.unsj.edu.ar/index.php/relasp/article/view/577/527

3 – Jornal do Commercio RS https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/2016/10/geral/528157-brasil-tera-19-milhoes-de-idosos-com-mais-de-80-anos-em-2060-estima-ibge.html

 4 – Panorama de la Vejez en Uruguay Pag. 24 https://ucu.edu.uy/sites/default/files/libros/pdf/panorama_vejez_en_Uruguay.pdf

5 – Estado, política y vejez. La política social para la tercera edad en Argentina desde el Virreynato del Río de la Plata hasta el año 2000.  http://cdi.mecon.gov.ar/bases/doc/gcba/polsoc/d41.pdf

6 –  DIRETRIZES PARA O CUIDADO DAS PESSOAS IDOSAS NO SUS: PROPOSTA DE MODELO DE ATENÇÃO INTEGRAL https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_cuidado_pessoa_idosa_sus.pdf

7 – Envejecimiento, personas mayores, y Agenda 2030 para el desarrollo sostenible. https://www.cepal.org/sites/default/files/publication/files/44369/S1800629_es.pdf

8 –Universidad de Antioquia file:///C:/Users/User/Downloads/20432-Texto%20del%20art_culo-73285-1-10-20140825%20(1).pdf

9 – Informe Naciones Unidas https://www.un.org/es/global-issues/ageing

Productor audiovisual, documentalista, investigador histórico, redator e reporter.

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