CAMINHANDO ENTRE O LUXO E O LIXO

PRESS WORKERS

Caminhar pela praia pode ser um passeio turístico,

mas também uma oportunidade de reconexão espiritual

e ação ambiental

Há algum tempo, Fernando Souza Neto e seu filho Tiago Gerhardt Pereira de Souza estão fazendo uma série de caminhadas que poderíamos chamar de reencontro de sim mesmo, de aproximação espiritual e com a natureza, ao longo do litoral gaúcho até a fronteira com o Uruguai.

“Essa história começou há alguns anos atrá; eu pirando, querendo e precisando desconectar da loucura que estava a minha vida, eu resolvi fazer esse caminho sozinho. Aí resolvi, tá, eu sei um lugar que é deserto, para me afastar um pouco dessa loucura e respirar um pouco”, disse Fernando.

Então fez esse caminho sozinho, com tudo numa mochila: comida, fogareiro, uma barraca, roupa, tudo. Nunca tinha feito algo parecido, não tinha feito esse trajeto nem de carro; embora não soubesse quantos dias ia lê levar nem como ia ser, ele o fez. Mas ele só sabe disser que ao final dos seis dias que levou de caminhada, de lá para cá a vida dele mudou, muita ficha caiu, muita coisa percebeu e começou devagar a mudar.

Logo aconteceu que para quem ele contava dos amigos, todos invariavelmente disseram a ele: “ba Fernando, eu preciso fazer alguma coisa assim”, “eu também gostaria de fazer isso mas não tenho preparo físico”, ou “eu não tenho a coragem de fazer uma coisa assim sozinho”, e aí ascendeu a ideia. E foi assim, pensando em proporcionar as pessoas uma experiência transformadora semelhante a que ele teve, que surgiu o “Caminho dos Faróis”

Fernando é dentista, como quase trinta anos de trabalho em Porto Alegre, e hoje leva quase trinta e cinco caminhadas nessa região; Tiago é formado em Arquitetura e está trabalhando na terceira caminhada que une o Brasil como Uruguai, Rio Grande do Sul e Rocha, a primeira que se organiza após a pandemia.

Tiago fala que “na verdade, eu tinha muita vontade de fazer essa caminhada para o Uruguai. Eu estava começando a vida de guia de turismo, e foi aí quando ele me propôs esse roteiro que tinha tudo para dar certo; então eu fiz junto com dois amigos, nós sozinhos, e partimos da ponte que divide a Barra do Chuí, ali na divisa, até Cabo Polonio. São 100 kms de caminhada o que nós fizemos em cinco dias”.

“O nosso itinerário é: primeiro dia vamos até La Coronilla, depois vamos a Punta del Diablo, no outro dia caminhamos até a Esmeralda, logo até Barra de Valizas e finalmente chegamos a Cabo Polonio. É um roteiro diferente do que estão acostumados os brasileiros que andam no Caminho dos Faróis que é mais selvagem, que dormem só em barracas, sem muito aconchego nem local de apoio; aí no Uruguai já é em pousadas, em hostel, então é mais tranquilo para aqueles que não estão muito acostumados a esse tipo de coisas”.

A alimentação e toda inclusa no pacote que eles vendem: além de aqueles que acompanham a caminhada, há uma equipe de apoio que tem um cozinheiro e mais um motorista que dirige um carro para dar caronas a aqueles que eventualmente precisarem. É bom lembrar que ao longo da praia, em alguns pontos é possível chegar de carro até a vera, caso aconteça alguma coisa ou alguém não se sinta confortável e tenha problema de seguir caminhando, e assim é levado até a próximo destino. Há radio comunicação entre os guias e a equipe de apoio, o que faz a caminhada muito segura.

Há nisso tudo uma perspectiva ambiental, que não é menor: as pessoas que caminham pela praia com eles, fazem a coleta do lixo que deixam mais o que encontram também. Embora os que vem fazer essas caminhadas são extremamente conscientes ecologicamente, eles juntam o lixo que pegam, e vai de 100 kg a 400 kg dependendo da praia, o catalogam e pesam, coletando dados para ONGs que usam essa informação para análise científica.

Então, se você tiver interesse em fazer essa caminhada que une os dois países, ou alguma das outras, e só acessar o site caminhodosfarois.com.br , contata-los pelas redes sociais, se comunicar ao telefone (51) 9 9124 7173, ou escrever para [email protected]

Richar Enry Ferreira

 

Productor audiovisual, documentalista, investigador histórico, redator e reporter.

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