OS TRÊS VILÕES DO AMBIENTALISMO

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 “A obrigação de tolerar, de suportar, dá-nos o direito de saber” disse Jean Rostand

Desde o início dos tempos, os humanos têm sido divididos entre destruir para construir e transformar para viver, mas quando isso acontece em um planeta de bens e suprimentos finitos e limitados, a variável conservação entra no algoritmo e muda as coisas.

História do ambentalismo

Foi no ano 1958 quando o oceanógrafo Roger Revelle e o químico Hans Suess, ambos americanos, mostram que a água do mar não é capaz de absorver o CO2 adicional que chega à atmosfera por causa de industrialização, como muitos haviam suposto. Revelle escreve: “Os seres humanos estão conduzindo uma experiência geofísica em larga escala” e prevê que em breve estaremos vendo o derretimento das calotas polares de gelo; em tanto, Charles David Keeling inicia medições sistemáticas de CO2 fornecendo a primeira evidência inequívoca de que as concentrações de dióxido de carbono estavam aumentando.1

viloes do ambientalismo

Sessenta anos após o lançamento do livro SILENT SPRING (Primavera Silenciosa), que inspirou as mobilizações ambientais que conhecemos hoje, no qual Rachel Carson alertou sobre os efeitos nocivos dos pesticidas no meio ambiente e apontou a indústria química como responsável pela contaminação de alimentos.

Hoje, a humanidade está enfrentando três grandes problemas que nos colocam em uma emergência ambiental, não apenas por causa dos potenciais danos ecológicos que podemos estar causando, mas também porque é a conseqüência de nossa ânsia em busca de progresso, produtividade e novas tecnologias, que não sabemos como administrar, parece não ter limite. Então, o raciocínio deveria ser, tudo o que nos é oferecido como ecológico, sustentável e amigável como o meio ambiente, ao fim de contas é de verdade vantajoso para o planeta, ou só traz benefícios para uma porção da população que não está nem aí para a vida da humanidade no planeta?

Painéis solares

“Um estudo estima que os painéis solares gerarão 80 milhões de toneladas de resíduos em três décadas. A falta de reciclagem e a pegada ambiental deixada pela fabricação de painéis com elementos caros, caros e tóxicos ofuscam o saldo positivo na redução de emissões” e até hoje este cenário não só permanece inalterado, como é agravado pela produção massiva de baterias com substâncias cada vez mais poluentes do que o chumbo, como o lítio, o cádmio e o níquel.2

Transporte

os tres viloes

Similar é a situação na indústria automobilística, “Cemitérios de carros elétricos: o fracasso do compartilhamento de carros na França e na China”“O gancho para convencer os clientes era estabelecer preços de venda muito atraentes. O primeiro lote de 50 carros foi vendido a 3.700 euros por unidade. Cada novo lote que entrou no mercado teve um preço mais alto, mas em nenhum caso acima de 5.000 euros.

O resto da frota, cerca de 3.000 carros, ainda estão sem proprietários e estão amontoados em um terreno baldio na cidade de Romorantin-Lanthenay, como atestado por um usuário do Twitter que encontrou a localização da coleta de carros. O fenômeno das frotas de carros elétricos abandonados também tem sido relatado na China. Na província de Chongqing, localizada no centro do país, centenas de unidades do Lifan 330 EV 01 estão alinhadas no meio dos arbustos de um terreno baldio depois que a plataforma Panda Auto, pertencente à própria marca, teve que fechar devido à crise financeira da empresa automobilística. Os carros são tão negligenciados que em alguns casos as ervas daninhas cobrem parte da carroceria”.3

Outro risco ambiental também é causado por veículos de duas rodas, como alguns blogueiros e portais não oficiais relatam: “o cemitério de motocicletas elétricas na França foi declarado um risco biológico”, e assim compartilham um vídeo no qual centenas ou milhares de motocicletas elétricas podem ser vistas em um estado de abandono em algum lugar do mundo.4

Eólica

os tres viloes do ambientalismoNo entanto, não menos preocupante é o risco de danos que outros elementos mais visíveis, e até mesmo considerados uma atração turística para alguns, podem estar causando ao planeta, refiro-me aos parques eólicos e seus sistemas quando caem em desuso ou são descartados devido a avarias: “Cemitério de pas: o calcanhar de Aquiles da energia eólica. O grande problema da energia eólica que a Espanha terá que enfrentar nos próximos anos”, e sem dúvida nossos países sul-americanos também.5

Hoje não existe, e da maneira como o mundo está girando, lamentamos disser que certamente não haverá em breve, um meio de geração de energia suficientemente ecológico que tenha a capacidade de produzir a energia necessária para satisfazer a ambição excessiva que acumulamos e para à qual o sistema financeiro nos oferece acesso imediato, para fazer parte da “nova onda verde”, porque qualquer outra forma sustentável, ambientalmente amigável não será econômica e massivamente acessível, já que o direito de auferir lucros, seja lá por que custo for, muito raramente é discutido.

A mudanza

Portanto, seria muito bom começar a ouvir quais as políticas de logística reversa dos produtores desses elementos poluentes, como eles estão cuidando da sustentabilidade dos produtos que colocam no mercado, não deixando mais a responsabilidade de descartá-las nas mãos dos consumidores. Até para as democracias da região seria muito saudável conhecer as políticas públicas de verdade nesta matéria, já que é inútil brincar de ecologista quando ainda muitos governos municipais não têm sequer um destino e tratamento adequado dos residuos sólidos (plásticos, metais ou substâncias não recicláveis), muito menos onde descartar as baterias dos equipamentos eletrônicos que nos rodeiam e que a cada dia há mais deles entre nós.

Cabe a cada um de nós racionalizar inteligentemente a aquisição, uso e descarte de tudo o que nos é oferecido como “verde”, “ecológico” ou “amigo do meio ambiente”, consumindo de forma mais moderada, consciente e responsável os produtos poluentes que nossa sobrevivência de luxo deixa para o planeta, pois todos nós podemos fazer o nosso melhor a cada dia, para não cair em truques comerciais destinado a lucrar com nossa consciência e amor pelo planeta.

Richar Enry Ferreira

 

Fontes:

1 – https://www.bbc.com/mundo/noticias/2013/09/130926_ciencia_historia_cambio_climatico_np

2 – https://elpais.com/ciencia/2021-03-29/un-estudio-calcula-que-los-paneles-solares-generaran-80-millones-de-toneladas-de-residuos-en-tres-decadas.html

3 – https://www.lavanguardia.com/motor/actualidad/20210930/7704043/cementerios-coches-electricos-fracaso-carsharing-francia-china.html#foto-2

4 – https://mujico.org/post/5547

5 – https://www.larazon.es/opinion/20220422/qecmntygkbb6dklasv5yq6pkiq.html

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Produtor e documentalista, investigador, escritor, jornalista e amigo da natureza.

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